Design de superfície é o ramo do design que projeta texturas com aplicação bi e tridimensional em diferentes superfícies, de produtos industriais, objetos artesanais e artísticos a trabalhos gráficos e ambientes virtuais, partindo da premissa que o designer é o profissional ideal para imprimir um tratamento único à superfície de um produto, seja através do bom uso das cores, texturas ou sensações táteis. Quando bem trabalhado, o design de superfície cria uma identidade única para determinada marca, além de agregar valor estético ao produto. Um bom exemplo é o da fabricante italiana Missoni, que levou as suas inconfundíveis estampas, com ziguezague e rendas, para além das passarelas: a chegada a móveis e artigos para o lar originou uma segunda marca do grupo, a Missoni Home.

A mesma identidade da Missoni em moda chega aos artigos para casa.
Ainda na Itália, estratégia parecida juntou duas grandes empresas locais, a Kartell, de mobiliário, e a Moschino, da moda, que empresta seus prints a modelos especiais da cadeira Mademoiselle, criada por Philippe Starck.

Cadeiras Mademoiselle, da Kartell, recebem estampas da Moschino em linha especial.
Mas nem só as marcas reconhecidas podem usar o design de superfície como ferramenta. Aliás, o mais comum vem sendo designers tornarem-se referências pelas estampas que criam. Esse é o caso da dupla britânica formada pelo artista Richard Woods e pelo designer Sebastian Wrong. Um dos trabalhos mais célebres da dupla foi uma série onde parquets – os famosos taquinhos do chão – aparecem pintados em cores fortes, uma estampa com cara de quadrinhos que acabou originando uma linha de móveis da Established & Sons.

Estampas da dupla Woods e Wrong gerou linha para a Established & Sons (2007).
No Brasil, alguns designers vêm se destacando pelo trabalho com as superfícies. Renata Rubim vai além da criação da estampa, buscando matérias-primas ligadas à natureza do produto, como no caso da linha Native, de utensílios de mesa, criada para a Coza. Já o designer Tissi Mousinho criou uma linha de pisos e painéis de madeira inspirados na ancestral técnica da marchetaria, que já levava a objetos de decoração, com resultados interessantes.

Linha Native, por Renata Rubim para a Coza.
Além da criação em tecidos e materiais sintéticos, o trabalho do designer de superfície deve ser cada vez mais percebido em papelaria, cerâmica, vidros e imagens digitais, em sites e vídeo games.